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Essencial Segurança é alvo de queixas de vigilantes após falha em cursos de reciclagem obrigatória em São Paulo

Profissionais relatam que foram convocados para a atualização exigida para o exercício da função, mas acabaram impedidos de iniciar as aulas...

Profissionais relatam que foram convocados para a atualização exigida para o exercício da função, mas acabaram impedidos de iniciar as aulas porque o pagamento do curso não teria sido efetuado pela empresa; caso reacende denúncias sobre atrasos salariais, benefícios e fragilidade financeira da prestadora de serviços

Foto: Pedro Oliveira

A empresa Essencial Segurança, formalmente identificada como Essencial Sistema de Segurança Ltda., voltou ao centro de reclamações de vigilantes após um episódio envolvendo a reciclagem obrigatória da categoria na cidade de São Paulo. Segundo relatos de trabalhadores, profissionais foram encaminhados para academias de formação em março de 2026, mas acabaram impedidos de iniciar o curso porque o pagamento necessário para a liberação das aulas não teria sido realizado pela empresa.

De acordo com os vigilantes, a situação causou indignação, insegurança e temor quanto à continuidade do exercício profissional. Isso porque a reciclagem é uma exigência obrigatória para a manutenção da habilitação do vigilante, sendo indispensável para que o trabalhador permaneça legalmente apto ao desempenho da atividade.

"Todo mundo ficou revoltado, porque a gente foi chamado para fazer a reciclagem e, quando chegou ao local, descobriu que o curso não estava pago. É muito constrangedor passar por isso", relatou um vigilante, que pediu para não ser identificado.

Outro trabalhador afirmou que o problema não seria isolado. "Não é de hoje que enfrentamos problemas. Sempre tem atraso de salário, atraso de benefício e agora chegamos ao ponto de não pagarem nem a reciclagem, que é obrigatória para a gente continuar trabalhando", disse outro vigilante, sob condição de anonimato.

Sem a confirmação do pagamento por parte da empresa, os profissionais afirmam que não puderam frequentar as aulas e foram obrigados a voltar para casa sem qualquer solução imediata. O episódio, segundo eles, amplia o sentimento de insegurança dentro da categoria, já que a reciclagem vencida pode impedir o vigilante de continuar atuando regularmente.

"A maior preocupação é que, sem a reciclagem em dia, o vigilante pode ficar impedido de trabalhar. A empresa erra, mas quem sofre as consequências somos nós, que dependemos do serviço para sustentar a família", afirmou um terceiro profissional ouvido pela reportagem, que preferiu não se identificar.

A gravidade do caso também mobiliza o movimento sindical. Para um advogado ligado ao sindicato dos vigilantes, a empresa tem obrigação de garantir todas as condições necessárias para que o trabalhador cumpra a exigência legal sem prejuízo à sua atividade profissional.

"Quando a empresa convoca o vigilante para a reciclagem obrigatória, ela assume a responsabilidade de garantir todas as condições para a realização do curso. Se o trabalhador chega à academia e é impedido de iniciar as aulas por falta de pagamento, o prejuízo não pode ser transferido ao profissional. O vigilante não pode ser penalizado por uma falha da empregadora", afirmou um advogado do sindicato dos vigilantes.

O representante jurídico também alertou para a necessidade de responsabilização diante de um possível acúmulo de irregularidades. "Além da questão da reciclagem, o que preocupa é o histórico de atrasos salariais, benefícios em aberto e outras obrigações trabalhistas descumpridas. Estamos analisando as medidas cabíveis para resguardar os direitos da categoria e responsabilizar a empresa pelos danos causados aos trabalhadores", acrescentou.

Além do episódio em São Paulo, a Essencial Segurança já vem sendo alvo de queixas relacionadas a atrasos salariais, problemas com vale-alimentação, verbas rescisórias e dificuldades no cumprimento de compromissos trabalhistas em outros estados. Entidades sindicais da categoria em São Paulo, Paraná e Minas Gerais têm acompanhado a situação e atuado para cobrar os pagamentos e garantir os direitos dos vigilantes diante das recorrentes denúncias.

Nos bastidores do setor, cresce a preocupação de que a empresa enfrente uma crise financeira mais profunda, com reflexos diretos sobre contratos e obrigações trabalhistas. O cenário acende um alerta também para os contratantes dos serviços, que precisam reforçar os mecanismos de fiscalização documental e financeira das empresas terceirizadas.

Para o especialista em contratos Renato Oliveira, a situação reforça a importância de uma análise criteriosa por parte dos contratantes, especialmente quando se trata de empresas que prestam serviços continuados e sensíveis, como segurança privada.

"Empresas contratantes, especialmente órgãos públicos e grandes instituições privadas, precisam redobrar a atenção na análise documental das prestadoras de serviço. Verificar certidões negativas, regularidade fiscal, trabalhista e previdenciária é uma medida essencial para reduzir riscos contratuais e evitar prejuízos futuros", explicou Renato Oliveira.

Ele destaca ainda que a fiscalização não deve ocorrer apenas no momento da contratação, mas durante toda a execução do contrato. "Quando uma empresa terceirizada apresenta sinais de desequilíbrio financeiro, como atrasos frequentes de salários, benefícios e cursos obrigatórios, o contratante precisa agir com rigor na fiscalização do contrato. A checagem periódica das certidões e do cumprimento das obrigações trabalhistas é fundamental para proteger tanto os trabalhadores quanto a própria instituição contratante", afirmou.

Enquanto aguardam uma posição formal da empresa, os vigilantes seguem apreensivos quanto à regularização dos pagamentos, à remarcação das turmas de reciclagem e à garantia de que não serão prejudicados no exercício da profissão. O caso amplia a pressão sobre a Essencial Segurança e reforça a cobrança por responsabilidade na gestão de contratos em um setor que depende diretamente da regularidade profissional dos trabalhadores para funcionar de forma segura e legal.

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